domingo, 14 de janeiro de 2018

Os riscos da profecia na política...

Em 1886 – 3 anos após a morte de Marx -, Engels escreve o prefácio da primeira edição inglesa de O Capital e, no último parágrafo, reafirma a tese de Marx  que a Inglaterra reunia todas as condições para realizar, pacificamente, a revolução social.
“Certamente, em tal altura, terá de se ouvir a voz de um homem cuja teoria toda é o resultado do estudo, durante uma vida inteira, da história económica e da situação da Inglaterra, e a quem esse estudo levou à conclusão de que, pelo menos na Europa, a Inglaterra é o único país onde a inevitável revolução social pode ser efetuada inteiramente por meios pacíficos e legais. Certamente que ele nunca se esqueceu de acrescentar que dificilmente esperava que as classes dominantes Inglesas se submetessem a esta revolução pacífica e legal sem uma “pro-slavery rebellion”.
5 de Novembro de 1886
Frederick Engels

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O fetichismo da mercadoria X Althusser

Os marxistas clássicos sempre tiveram grande dificuldade de absorver o conteúdo do capítulo inicial do volume 1 de O Capital, especialmente a seção 4 : “O fetichismo da mercadoria e seu segredo”. Vale lembrar que o próprio autor, no prefácio da 1ª edição alemã ( 1867), registrava as “dificuldades” do entendimento do 1º capítulo. Para avaliar essa “dificuldade” segue trecho do prefácio de Althusser para a edição francesa da obra maior de Marx:

“As maiores dificuldades teóricas, além de tantas outras, que constituem obstáculo a uma leitura fácil do livro I d’O Capital, estão, infeliz (ou felizmente) concentradas no próprio início do livro I, mais precisamente em sua seção I, que trata de ‘A mercadoria e a moeda’. Dou então o seguinte conselho: colocar PROVISORIAMENTE ENTRE PARÊNTESES TODA A SEÇÃO I e COMEÇAR A LEITURA PELA SEÇÃO II: ‘A transformação do dinheiro em capital’. A meu ver, só é possível começar (e somente começar) a compreender a seção I, após ter lido e relido todo o livro I a partir da seção II. Este conselho é mais do que um conselho: é uma recomendação que, com todo o devido respeito a meus leitores, eu me permito apresentar como uma recomendação imperativa. Cada um poderá fazer a experiência prática disso. Se se começar a ler o livro I por seu começo, isto é, pela seção I, ou ele não é compreendido, ou ele é abandonado; ou acredita-se compreendê-lo, o que é considerado um clássico no ainda mais grave, pois há grandes chances de ter compreendido outra coisa do que se deveria compreender.”

O fetichismo da mercadoria fé.

Um texto relevante de Alexandre Gomes – reproduzido no blog “O Espiritualismo Ocidental” – revela como o conceito de fetichismo da mercadoria, criado por Marx, é “um dos mais úteis para se compreender a realidade do mundo pós-moderno, apropriadamente chamado de sociedade de consumo.” Segue um pequeno e estimulante trecho:
“O conceito de fetichização dos bens culturais, tal como é desenvolvido em Adorno, talvez forneça uma pista importante para se compreender também outros aspectos da sociedade pós-moderna: Até que ponto não é possível falar, por exemplo, de uma fetichização da fé, transformando a salvação em mera mercadoria e a apreciação das palavras reveladas como um setor específico da indústria de espetáculos?
Consumiriam-se pregações assim como se consome a música da moda na FM, não pelo valor intrínseco da mensagem, pelo prazer e reflexão que ela proporcionaria, mas da mesma forma como se consome um iogurte ou se veste uma roupa de grife.”
Íntegra do texto em
http://oespiritualismoocidental.blogspot.com.br/2011/03/salvacao-como-mercadoria-e-espetaculo.html


quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Fetichismo da mercadoria. 4 séculos de frases.

1690 - “Mercadorias, que têm o seu valor estabelecido como suprimento das necessidades da mente, satisfazem desejos. Desejo provoca demanda. É o apetite da alma, e é tão natural para a alma, como a fome para o corpo.”
Nicholas Barbon – “A Discurse of Trade” (Um discurso sobre o Comércio).
1867 - “A primeira vista, uma mercadoria parece uma coisa trivial e que se compreende por si mesma. Pela nossa análise mostramos que, pelo contrário, é uma coisa muito complexa, cheia de sutilezas metafísicas e de argúcias teológicas.” Karl Marx – “O Capital”.
1967 - Marketing é a atividade humana dirigida para satisfação das necessidades e desejos, através dos processos de troca. Um produto é tudo aquilo capaz de satisfazer a um desejo”. Phillip Kotler - “Marketing Management”.
1993 -“A maioria das pessoas nem chega a se dar conta de que há literalmente um outro mundo operando dentro de nós. ......É um reino mitológico, um desconhecido mundo cheio de seres arquétipos, demônios e toda uma horda de entidades estranhas.” Sal Randazo - “ A criação de mitos na publicidade”:


sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Hegeliano até os últimos dias.

Os marxistas “clássicos” costumavam/costumam reafirmar que Hegel foi uma paixão do jovem Marx – abandonada na maturidade.
Publicamos neste blog depoimentos de Marx e Engels  maduros reconhecendo a relevância dos conceitos de Hegel na elaboração de seus pensamentos.
Schumpeter concorda com a tese e afirma ( em “Capitalismo, Socialismo e Democracia”) : “Marx conservou seu amor da juventude por toda a vida.”

Com certeza, Schumpeter não se referia a Jenny Marx......rsrsrsr